Sou uma ave de arribação
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Velho
Ser velho e feio,
E fraco...
Me traz uma enorme paz de espírito.
O meu corpo não pode mais driblado e nem vencido...Ou talvez só vencido.
Nada a fazer.
O chão, ficar no chão e olhar pra trás como quem olha pra cima.
Nada de demônios se debatendo em mim querendo sair,
Querendo virar e desvirar coisas.
Todos os meus demônios estão livres, por aí...Espantando alguém que ainda guarde a memória de quem fui...
Apenas sou.
Descanso de mim...
Enquanto o mundo gira, eu giro o mundo e escolho um destino
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Samuel Cavalcante
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16:28
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quinta-feira, 21 de maio de 2020
Ansiedade
entrar ou não entrar?
Sair ou não sair?
lá fora parece luminoso,
Ou seria lá dentro?
Luz, sombra...
ficar ou ir...
sonhar ou lembrar...
Perguntar ou respirar?
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Samuel Cavalcante
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13:02
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Velho na lua
A lua apareceu de novo na minha janela
De surpresa
Surpreendendo minha insônia.
Mas parecia que eu estava na lua
E de lá, olhava para minha terra...
Nessa terra tinha uma janela
E um menino acordado até tarde
Seus demônios de infância eram muito verdadeiros
E a luz da lua não os afastava.
E nem a luz forte do poste da calçada...
O menino imaginava que talvez um velho
Estivesse em uma janela, na lua...
Se imaginou velho e ficou triste.
Os demônios eram tão reais!
Por que as fadinhas também não apareciam
E cantavam canções de ninar para ele?
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Samuel Cavalcante
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18:40
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domingo, 13 de outubro de 2013
Pedra Negra
A noite é realmente noite. Nenhuma cidade no horizonte.
Nenhuma luz de cidade...
A lua brilha como nas minhas mais remotas lembranças
Quando eu olhava pra ela
Da varanda do sítio em Quixeramobim.
No lugas das carnaúbas,
Embaúbas...
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Samuel Cavalcante
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13:18
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terça-feira, 12 de março de 2013
Como...
O dia depois
foi como uma interrupção dos dias.
Mas, com o tempo,
os se tornaram prolongamentos daquele dia antes
do dia depois.
o olhar dirigido ao telefone,
a indecisão,
a demora pra dormir,
a pressa pra acordar...
As lembranças que vão se confundindo com a fantasia
até não restar lembrança nenhuma...
Não sei mais onde toquei,
não sei mais o que fiz,
não sei mais onde beijei,
nem o que disse
ou sussurrei.
Só parece que fiz tudo,
disse tudo
e beijei como não se beija com a boca da realidade.
Mas, a estas alturas,
o que importa a realidade mesmo...
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Samuel Cavalcante
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10:35
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